Ela nos disse que tinha chegado do norte de Minas e estava dormindo no HRAN. Seus documentos tinham sido roubados e ele queria R$ 40 para providenciar os novos. Perguntei a ele o que tinha vindo fazer em Brasília, ao que ele respondeu que estava procurando trabalho. Com mais um pouco de conversa, ofereci a ele a seguinte ajuda: você procura trabalho de jardineiro nas casas vizinhas à minha, se não conseguir, faz o meu jardim. Depois de rodar um pouco, acabou voltando e trabalhando comigo mesmo.
Como minha casa está em reforma, não demorou para que, conversando com o mestre de obras e com o eletricista, arrumasse trabalho. Passou umas duas semanas ali conosco, e fazendo trabalhos para esses profissionais. Insistimos com ele que alugasse um quarto, o que ele acabou conseguindo, com a ajuda do eletricista. Ajudei-o emprestando o valor do primeiro mês do aluguel.
O resto da história, muitos conhecem, pois já passaram por situações semelhantes.
Laércio saiu da obra na sexta-feira, e pagou a primeira parte do empréstimo que fiz. Pegou uma furadeira do mestre-de-obras emprestada. Na segunda e na terça seguintes não apareceu. Saímos a procurá-lo. Afinal, ficamos sabendo que ele tinha deixado o quarto, tentou vender a furadeira emprestada para a dona da pensão e sumiu no mundo de novo...
É difícil ajudar. Ajudar quem merece é fácil, e é bom. A beleza da graça é ajudar quem não merece...
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